Estúdios
de cinema lançam download de filmes nos EUA
Fonte: John Blau - IDG News Service,
Alemanha
A grande
tela dá mais um passo para firmar-se na grande rede mundial.
Nesta segunda-feira (11/11), cinco grandes estúdios de cinema
dos Estados Unidos lançaram um serviço de download de
filmes na Internet por meio de uma nova companhia de aluguéis
de filmes online, a Movielink LLC..
O serviço da Movielink, disponível, por enquanto, apenas
para internautas norte-americanos, concretiza a oferta de video-on-demand
(VOD) via Web.
A empresa,
cuja criação foi anunciada em agosto do ano passado, é
suportada pelos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer Studios Inc., Paramount
Pictures Corp., Universal Studios Inc., Sony Pictures Digital Entertainment
Inc. e Warner Bros.
Inicialmente,
a Movielink oferecerá mais de 170 títulos clássicos
e contemporâneos, incluindo "Uma Mente Brilhante"("A
Beautiful Mind"), "Harry Potter" e "Bonequinha de
Luxo"("Breakfast at Tiffany's").
Para ter
acesso ao serviço, os clientes devem registrar-se no Movielink,
selecionar um filme e pagá-lo com cartão de crédito.
O serviço oferece um download de até 500 Megabytes e é
válido por 30 dias. Ao iniciar sua sessão de cinema online,
o internauta tem 24 horas para assistir o filme escolhido.
A Movielink
oferece os downloads pelos players de mídia RealPlayer, da RealNetworks
Inc., e Media Player, da Microsoft. No início deste ano, a Movielink
escolheu a IBM como seu provedor de serviços de hospedagem.
ESPECIAL
- Tudo o que você sempre quis saber sobre MPEG-4
Alexandre
Mandl - Magnet
Formatos
para assistir vídeo na Internet ou no DVD não faltam.
Tudo depende da qualidade da imagem que o espectador quer ter, ou melhor,
do que as empresas têm a oferecer. O principal nome do setor é
a Motion Picture Experts Group, mais conhecida como MPEG. A última
novidade do grupo é o MPEG-4, que promete gravar
dados com uma resolução inédita e ainda fazer transmissão
pela Rede.
Toda promessa
de trazer o cinema para a Internet vem desde meados de 1993.
O MPEG buscava desde então um padrão que permitisse superar
a qualidade de imagem do DVD (MPEG-2) e ao mesmo tempo algo que ainda
valesse para as conexões ADSL e de modems discados. Aí
vale aquela velha lógica: quanto melhor o arquivo, maior é
o seu tamanho (mais lento).
A briga
para melhorar a qualidade e diminuir o tamanho teve um fim quando os
engenheiros da MPEG descobriram que tudo não passava de como
comprimir informações. O MPEG-4 não espreme apenas
os frames da imagem, mas também compacta as informações
de como eles se sucedem.
Em poucas
palavras o formato é baseado em objetos audiovisuais.
O termo significa que as informações de som e vídeo
transmitidas na hora são separas do conteúdo pelo todo.
Em analogia, é possível dizer que a arquitetura quebra
um tijolo e envia pedrinha por pedrinha as informações.
O que garante que se houver uma queda na velocidade da transmissão,
a qualidade das imagens não cai do nada. De acordo com Pércio
dos Santos, da produtora de vídeo DVD CareWare, o formato
foi concebido para trafegar literalmente a baixas taxas de transferência,
principalmente entre 100 Kbps e em 1 Mbps.
Basicamente,
depois do MPEG-4 é possível dizer que existem tecnologias
para cada tipo de mídia. O MPEG-1 é dedicado para produtos
como Vídeo CD, o MPEG-2 para DVD e TV digital e finalmente o
MPEG-3 para MP3. O novo MPEG-4 vai ser realmente utilizado para transmissões
de alta qualidade na Internet.
A explicação
técnica é simples. Enquanto o MPEG-1 fica numa resolução
de 320x240 pixels, o MPEG-4 chega aos 4096x4096 sem problemas. E o melhor,
toda essa qualidade pode ser transmitida até mesmo em conexões
de 5Kbps. Além de ser bem econômico, a tecnologia também
suporta efeitos em Shockwave, Flash e 3D. Desde o começo
a tecnologia foi desenvolvida para resolver o problema de mídias,
então é lógico que modems de 56Kbps ou ADSL 256Kbps
serão os maiores beneficiados, lembrou Pércio.
Só
que toda a questão é porque tantas empresas decidiram
apostar no MPEG-4 se ele é apenas um avanço
dos formatos anteriores. A desvantagem é ser um formato "caro".
A tecnologia MPEG-4 já incorpora as primeiras ferramentas de
direitos autorais. Qualquer pessoa que utilizar um vídeo da extensão
terá que pagar obrigatoriamente para o autor uma determinada
quantia.
Diga-se
de passagem, já existe até mesmo um grupo de empresas
voltada para as cobranças do MPEG-4, a MPEG LA. Os membros da
tal organização propõem que seja cobrado US$ 0,02
por hora de arquivo transmitido pela Internet. Fora o preço do
licenciamento que é cobrado das companhias que desenvolveram
programas para executar arquivos do gênero.
CORRIDA
EMPRESARIAL
As empresas
que mais apostam suas fichas no MPEG-4 são basicamente três:
Microsoft, Real Networks e Apple. Companhias como Intel, Sun, DivXNetworks
e Sony também não fazem por menos.
Quem largou
na frente foi a Apple com o seu QuickTime. O software da empresa trabalha
com um sistema de transmissão muito semelhante ao MPEG-4 desde
a sua versão 3. Não é nenhum exagero dizer que
os profissionais do MPEG pegaram a tecnologia de Steve Jobs. As semelhanças
entre os codificadores e decodificadores de vídeo e áudio
não são mera coincidência.
Por outro
lado, a Microsoft também não deixa muito a dever. O seu
novo Windows Media Player 9 continua com a bandeira de uma solução
proprietária. Só que desta vez o argumento da empresa
é outro. A sua exclusiva tecnologia batizada de Advanced
Streaming Format (ASF) promete dar muito mais proteção
aos provedores de conteúdo. O formato criado pela empresa de
Bill Gates oferece criptografia e proteção contra cópia.
Na contramão
vem a Real Networks. A nova versão do player servidor da empresa,
o Helix, já vem com todas as especificações do
MPEG-4. Só que o lançamento da Real também trabalha
com o ASF da Microsoft e todas outras extensões proprietárias
possíveis.
Contradições
à parte, a companhia quer ser reconhecida como a única
marca que atende todas as necessidades do mercado, mas também
desenvolve a sua alternativa. Os codificadores Real Vídeo 9 e
Real Audio 8 são as armas da companhia para brigar com o ASF.
As nossas alternativas são superiores aos MPEG-4 ou qualquer
outra extensão, embora nós trabalhemos com todas elas
também, disse Ricardo Caporal, gerente de produtos da Real
Networks Brasil. É ver para crer.
PRINCIPAIS
PLAYERS DE MPEG-4
- Windows
Media Player 9
Sem sombra
de dúvida o programa da Microsoft é a opção
natural para quem utiliza o próprio Windows. O Media Player 9
foi o programa mais rápido em todas as transmissões em
MPEG-4 testadas.
Mesmo com
um codificador (ASF) preparado para praticamente substituir o formato,
o WMP9 não decepciona. Só que obviamente tem o outro lado
da moeda. O programa é muito rígido na questão
do controle dos direitos autorais do artista. Logo na instalação
dá para perceber. São feitas diversas perguntas sobre
copyright.
De qualquer
forma, no geral é a opção mais segura para quem
quiser assistir MPEG-4. Afinal de contas, ele não deixa aquela
sensação de que a transmissão pela Internet vai
travar. É ver para crer.
- RealOne
2.0
A primeira
coisa que tem que ser falada sobre o RealOne 2.0, independentemente
dele ser utilizado para ver MPEG-4, é que ele é um programa
totalmente novo. Muito distante das versões anteriores, o software
dá um show na execução de transmissões pela
Internet.
O player
da Real é um dos melhores para ver o formato MPEG-4, porém
é um pouco pesado. A sua instalação pode deixar
os usuários mais exigentes irritados. O programa instala muitos
ícones onde geralmente é irritante vê-los.
Quem quer
uma alternativa não Microsoft, o tocador é a primeira
opção. Vale lembrar também que o RealOne 2.0 é
um dos poucos programas que aceita rodar todos os outros formatos do
gênero, inclusive o WMA.
- DivX
Player 2.0
Se existe
algum produto de informática light, o DivX Player é o
que há. Simples, sem mil botões como a concorrência
e muito ágil. Perto do RealOne e WMP9, não é nenhum
exagero dizer que é pegar um carro 1.0 depois de andar um 2.0.
A questão
é que o DivX não está preparado integralmente para
o MPEG-4. Ele não tem uma opção de receber arquivos
pela Rede muito bem feita. Só que quando se trata de arquivos
MPEG-4 em cd-rom, ele é ideal. As opções de visualização
dos vídeos são perfeitas. Questão de ajustes.
- Quicktime
6
É
outra boa opção de player leve. Como já dito anteriormente,
os codificadores e decodificadores do programa são os mais originais
diante das especificações da MPEG. A adoção
do Quicktime para trailers de cinema também faz dele uma boa
opção.
A recepção
do sinal de vídeo da Rede obedece ao mesmo nível de qualidade
boa obtida no RealOne. O famoso picadinho foi para o espaço.
Um outro detalhe relevante é que um dos poucos programas preparados
para receber tanto MPEG-4 pela Internet quando em CD-ROM. A diferença
se resume a comandos do menu, a reprodução na telinha
é a mesma. Feito que a concorrência, exceto a Real Networks,
não conseguiu.
MPEG-4
x OUTROS FORMATOS
Apesar
do MPEG-4 ser considerado o principal meio para transmitir vídeo
e som pela Internet, outras empresas apostam mais no seu formato proprietário
como já dito anteriormente, mas isso não basta para considerá-lo
melhor.
Logo de
cara, a primeira alternativa que surge é o próprio DivX.
A tecnologia desenvolvida sobre o MPEG-4 promete ser uma mão
na roda para quem não quer saber da MPEG. De certo mesmo, o formato
reduz em 10% o MPEG-2, utilizada em DVDs, e mantém a qualidade
de som nos moldes do VHS. O DivX também tem a vantagem de ser
transformado em VCD.
Se o DivX
está mais para filmes e trabalhos em CD, a Real aposta na literal
substituição do MPEG-4. O MPEG-4 é um formato
muito confuso ainda para as companhias. Nós desenvolvemos algo
superior, o nosso formato (RAM) bate o último MPEG, disse
Otelo Bertolozzi, gerente técnico da Real no Brasil.
Já
o Advanced Streaming Format (ASF) promete não ser melhor em termos
de velocidade. A proposta da tecnologia é ser mais segura. Não
é possível fazer um comparativo direto, mas, diga-se de
passagem, já é a extensão mais utilizada por provedores
de Internet. Quem quer colocar proteção de direito autoral
e criptografia nos seus arquivos, o ASF é uma boa pedida.
De forma
geral, o MPEG-4 ocupa um espaço bem definido entre as outras
extensões do mercado. Muito embora as questões de licença
ainda não tenham sido definidas, o MPEG-4 é a tecnologia
mais apropriada quando se fala de transmissão pela Internet.
OUTROS
MPEGS
MPEG-1
O MPEG-1
foi desenvolvido desde o início para atender os usuários
em termos recepção de vídeo. Só que logicamente,
como é um dos primeiros formatos, a resolução deixa
a desejar. O formato fica nos 320x240 pixels utilizados por alguns CD-ROMs
e VideoCD.
MPEG-2
Desenvolvido
em 1995, com a estrutura básica do MPEG-1, é o formato
utilizado em TV digital e DVD. Ainda é a alternativa que chega
mais perto da equação qualidade com taxa de compressão.
MPEG-3
O bom e
velho MP3. É utilizado principalmente para a compactação
de áudio.
MPEG-7
Em estudos
ainda, o possível formato será utilizado para a organização
de uma enxurrada de padrões de vídeo diferente. Juntará
todos os MPEGs anteriores e mais outras extensões do mercado.
MPEG-21
Vem a cumprir
justamente o que o ASF da Microsoft diz já ter. Em poucas palavras,
promete cobrir as áreas de direitos autorais dos vídeos,
além da monitoria do estado dos servidores de transmissão.
Também em desenvolvimento.